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Opiniões

por Vittorio Pelligra

 

 

“A economia não deveria ter interesse somente pela aplicação eficiente dos bens materiais – escrevia alguns anos atrás, no American Economic Review, Matthew Rabin, jovem estrela da Universidade de Harvard - mas também em projetar instituições nas quais os sujeitos sejam felizes pela interação entre eles”. Apesar de não saber disso, uma pequena empresa de Ancona - que fabrica detergentes biológicos a partir de resíduos de óleos – levou-o a sério, mas tão a sério que chegou a citar em seu estatuto que a finalidade da empresa não é a maximização do lucro ou do valor das suas ações, mas “o bem-estar e a felicidade de todos aqueles que a compõem”.

Conheci esta empresa, e muitas outras, durante o Festival Nacional da Economia Civile, em andamento nestes dias em Florença. No salão dos Cinquecento di Palazzo Vecchio, elas contaram, em uma palavra, as suas histórias de sucessos e fracassos, de inovação e visionariedade, de empenho e de sustentabilidade. Uma dessas, através da moda e da criatividade, reciclando materiais de descarte, leva a dignidade e uma profissão às mulheres detentas. Outra produz geradores solares que, contemporaneamente, depuram a água e fornecem acesso à Internet para as cidades do futuro.

E ainda a multinacional que, além dos pontos de venda, funda empórios onde, quem precisa, pode pegar ferramentas e materiais para trabalhos domiciliares emprestados. São empresas civis, plurais, biodiversas, híbridas; empresas que em suas variedades, nada menos, têm traços comuns. São, antes de tudo, empresas “virtuosas”. Não no sentido de boas, corajosas ou “santinhas”. Não. São virtuosas no sentido original do termo. De fato, a aretè, a virtude, para os gregos era a qualidade da excelência. A capacidade de levar a termo as próprias potencialidades. Por isso, definimos um pianista, virtuoso, ou de um poeta dizemos que é um virtuoso da palavra.

Essas empresas se sobressaem, no sentido que fazem florescer pessoas e lugares, ideias e territórios, não se contentando com o ordinário, mas indo à procura do extraordinário, do completo. Portanto, são empresas que produzem “valor”. Eis aqui a segunda palavra-chave. Não só riqueza, mas valor. Sabemos muito bem, na verdade, que podem existir empresas que, enquanto produzem riquezas, destroem valores. Empresas “extrativistas”, que extraem recursos das pessoas com as quais interagem e dos territórios nos quais atuam: a indústria dos jogos de azar, aquelas que produzem armas, as empresas altamente poluentes, mas também as empresas que oferecem trabalhos inúteis. Não nos esqueçamos de que vinte e cinco por cento dos trabalhadores nos países mais desenvolvidos, principalmente jovens, sentem que seu trabalho é inútil. As empresas civis, ao contrário, criam e distribuem valores compartilhados, que transbordam para além dos confins da organização para inundar o ambiente no qual atuam. São empresas feitas principalmente de “relacionamentos”, terceira palavra-chave. A sua tecnologia produtiva é imbuída de relações.

A vantagem competitiva dessas empresas baseia-se na qualidade das relações, determinante principal, não só de coesão social, confiança e produtividade, mas também de bem-estar individual e social. O cuidado com a comunidade de pessoas que forma a empresa é, ao mesmo tempo fim e meio para a produção daquele valor compartilhado do qual falávamos acima. E ainda “inovação”. Nos tempos atuais, quem arrisca falar de inovação, e especialmente de inovação social, ousa acabar fazendo discursos vagos e vazios. Como o “tofu”, de fato, a expressão “inovação social”, vai bem com tudo, mas isoladamente não tem nenhum sabor. Um conceito “catch-all”, que justamente por ser tão vago, corre o risco de tornar-se inútil. Essas empresas, porém, fazem a inovação num sentido muito específico. Não procuram somente dar respostas novas a questões antigas ou encontrar novos modos para responder a necessidades consolidadas.

Mais que isso, vão à procura de novas demandas, fazem nascer novas necessidades, perscrutam os lugares e as pessoas para recolher indagações não expressas. E essas inovações, normalmente, são inspiradas por pequenas escolhas quotidianas. Não sempre, aliás quase nunca, a inovação é um processo repentino, “disruptive”. Uma mudança de paradigma, uma mutação cultural, acontecem porque foram precedidos por um processo cumulativo de “pequenas escolhas quotidianas” que, uma vez produzida uma certa massa crítica, começam o processo de mudança, dessa vez, revolucionário. Mas sem as pequenas escolhas quotidianas, acessíveis a todos e de baixo custo, as revoluções não encontrariam terreno fértil para se consolidarem. As empresas civis atuam dessa forma: suscitando pequenas mudanças, quotidianas, acessíveis, mas cumulativas. Modelos diferentes de consumo, processos mais sustentáveis, produtos menos impactantes e mais úteis. Escolhas que, acumulando-se, produzem uma “cultura”. Essa é a última palavra-chave que descreve a natureza e as ações dessas empresas. Promovem e induzem escolhas que se tornam cultura.

As pequenas escolhas quotidianas tornam-se conceitos compartilhados, esquemas conceituais, normas, convenções e códigos de valor comum. Uma cultura de sustentabilidade social e ambiental, mas também de confiança e reciprocidade. Essas “empresas civis” existem e são muitas; pequenas, talvez, mas muito concretas. São filhas do nosso “genius loci”, da nossa criatividade e da nossa história de inclusão e participação. Uma tradição que não podemos esquecer, mas valorizar, dizendo “obrigado” a essas empresas e a estes empresários, procurando-os, descobrindo-os, apoiando-os e ajudando-os a florescer e amadurecer através das nossas escolhas de consumo e de investimento, o nosso “voto com a carteira”. Porque o desenvolvimento da nossa economia ou será civil ou não será.

 

Traduzido por Adriana Mendes

publicado em Il Sole 24 ore de 31/03/2019

 

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